sábado, 21 de abril de 2012

Terry Reid e seu estigma

Tudo mundo tem aquele amigo, parente ou conhecido que sempre conta a mesma piada. Ou ainda, aquele outro que quando a conversa entra em determinado tema (futebol, política, enfim) você já sabe onde o papo vai parar: naquele já conhecido episódio que tal pessoa viveu um dia e reconta inumeráveis vezes - com algumas variantes e até acréscimos ao longo do tempo. Há inclusive, professores que repetem um mesmo exemplo em quase todas aulas. Pessoas repetitivas são chatas, essa é a verdade. Ou melhor, a atitude de ser repetitiva é que é chata. (E quem não é repetitivo vez em quando?)

No jornalismo a repetição também é algo muito recorrente com alguns temas. Vamos a um caso:
Terry Reid, cantor e guitarrista inglês de honrável carreira solo. Vários álbuns lançados em décadas de estrada. Mas experimente aí pesquisar sobre a biografia deste destinto senhor na internet e com certeza irá se deparar por várias vezes na mesma história. "O cara que recusou ser vocalista do Led Zeppelin e do Deep Purple".

Pra quem ainda não conhece a história, lá vai.
Terry Reid tinha seus 16 anos de idade e tocava com um grupo chamado Peter Jay and the Jaywalkers, na época o grupo partia para uma tur abrindo shows para os Stones. Já Jimmy Page e John Paul Jones tentavam reformular o Yardbirds e precisavam de um novo vocalista, o convite foi feito para o então jovem e competente Terry. Além de negar o convite, Terry Reid ainda indicou seu amigo Robert Plant. O resto dessa história é conhecido, o que era pra ser o The New Yardbirds se tornou em uma das lendas do rock, atendendo pelo nome de Led Zeppelin!

Grande mancada da carreira de Terry Reid? Quem sabe? ele faz questão de lembrar aos mais precipitados: "se eu tivesse topado a parada, talvez o grupo não teria se tornado o que se tornou".

Depois desse episódio, já em sua carreira solo, Reid iria recusar ainda um convite para ser vocalista do Deep Purple. Foi em 1969 quando o Purple demitiu seu primeiro vocalista, Rod Evans. Outra vez só com um bola de cristal pra saber se com o Terry Reid nos vocais, o Purple teria emplacado como emplacou com o Ian Gillan.

Alheio a toda essa história, por mil vezes contada (1001 agora com esse texto), Terry Reid teve uma carreira solo bem sucedida (logicamente bem longe do mega sucesso do Zeppelin e do Deep Purple) e com ótimos sons. Particularmente, gosto bastante e recomendo o disco de 1976, Seed Of Memory. A faixa título é puro sentimento, com uma bela letra. Confira aí!

Mas voltando ao que eu estava falando... muitas vezes, naquela vontade de contar uma história inusitada, nós jornalistas (ou aspirante, no meu caso) cometemos o erro de enfatizarmos essa velha historinha extraordinária/engraçada/sensacional/polêmica e deixamos a parte mais relevante da informação de lado. Sim, porque nosso principal papel continua sendo o de informar!

Imaginem eu indo entrevistar Terry Reid (quanta honra) quando ele acabara de lançar um novo CD. Ele totalmente empolgado com as músicas novas, cheio de vontade de falar sobre suas composições, as participações do CD, os shows marcados. Lá vai o Cassio Lilge e pergunta: - Como foi aquela história do Led Zeppelin, você se arrependei de ter negado o convite?

Rodrigo Amarante do Los Hermanos mostrou o que pode acontecer se só insistirmos na polêmica.




quinta-feira, 19 de abril de 2012

Que tal refletir antes de opinar?

O ser humano é um ser social, um ser sociável. Afora algumas exceções, todos nós sentimos necessidades de conversar, trocar opiniões, fazer desabafos, partilhar sensações, ou mesmo, rir de uma mesma piada (que talvez até seja sem graça, mas na companhia do outro se torna engraçada). A verdade é que gostamos de compartilhar!

Pois deve ter sido pensando nisso que desenvolveram a ferramenta no facebook que faz justamente isso, permite-nos compartilhar todo que acharmos que devemos compartilhar com nossos amigos (amigos de facebook, diga-se). E se um amigo achar interessante algo que compartilhei ainda pode levar isso adiante, compartilhando a seus amigos também. Assim todos os dias recebemos um enxurrada de vídeos, fotos, ilustrações, frases, notícias, poemas, piadas, protestos... quem tem um perfil no facebook sabe do que estou falando.

Isso parece muito bom, muito democrático. Eu posso comentar o que meu amigo compartilhou, posso concordar com ele ou discordar dele, argumentar, curtir, são várias as possibilidades. Além de um lugar pra entretenimento e descontração, a rede social pode ser também um bom lugar para o debate de assuntos diversos.

O problema é que a internet tem levado, cada vez mais, as pessoas a se expressarem no imediatismo. Todo mundo gosta de dar ou repassar opinião, mas nem sempre há uma "triagem" do pensamento. Falta o tempo para a tão preciosa reflexão.

Ninguém é obrigado a comentar e opinar em tudo, mas quando sinta vontade de o faze-lo é interessaste que esteja por dentro do assunto, pesquise um pouco se preciso (inclusive temos a própria internet aí pra isso). E pense no seguinte esse comentário que você está fazendo na rede social, faria da mesma forma na rua, em meio aos amigos e desconhecidos?

Inúmeras campanhas, imagens com protestos, comentários de indignação, tudo isso vemos aos montes quando fiquemos um tempinho conectado. Sem falar nos chiangamentos e troca gratuita de ofensas. Mas parece que as pessoas absorvem muito pouco quando estão pela redes sociais.

Refletimos e façamos valer o provérbio chinês abaixo

"Se dois homens vêm andando por uma estrada, cada um com um pão, e, ao se encontrarem, trocarem os pães, cada um vai embora com um.
Se dois homens vêm andando por uma estrada, cada um com uma ideia, e, ao se encontrarem, trocarem as ideias, cada um vai embora com duas."